quinta-feira, 3 abril, 2025
O exercício físico e o coração
Rogério Tiossi é cardiologista clínico e intervencionista, especialista em procedimentos cardíacos minimamente invasivos. CRM 82160.
Clínica: R. Cincinato Braga, 340, São Paulo (SP) – Tel. (11) 5039-1938 e 97101-7960.


Que os exercícios físicos melhoram a qualidade de vida todos sabem. Que eles prolongam a vida, também. Mas afinal, quais cuidados devemos ter antes de iniciá-los e, principalmente, para realizá-los de forma segura e sem riscos?
Ao recebermos a “prescrição” de exercícios físicos por pelo menos 150 minutos por semana, devemos ter em mente que a mistura de várias atividades pode ser a fórmula mágica. Desde uma simples caminhada com trote, somada com exercícios de musculação para fortalecimento muscular e exercícios de equilíbrio para evitar quedas, já conseguimos atingir metas de diminuição da incidência de infarto agudo do miocárdio e AVC. Classificamos como pessoas sedentárias aquelas que praticam menos de 150 minutos/semana. Independentemente da idade, o esporte a ser escolhido deve ser aquele que lhe traga prazer e que o corpo aceite bem. Para pessoas acima de quarenta anos a prática de exercícios pode ser realizada em dias alternados. As lesões musculares e ortopédicas podem e devem ser evitadas através de avaliações individualizadas.
Antes de iniciar os exercícios, é necessário se submeter a um exame físico realizado pelo médico cardiologista, preferencialmente que tenha conhecimento das práticas do esporte. Exames complementares podem ser interessantes, realizados anualmente, mesmo que em pessoas assintomáticas e saudáveis. Desta forma, o eletrocardiograma, o teste ergométrico e o ecocardiograma fazem parte da avaliação básica para liberação da prática esportiva. Em casos específicos, a ressonância cardíaca também pode ser necessária.
Uma abordagem especial deve ser dispensada aos pacientes acometidos pela Covid-19. A reintrodução do exercício deve ser lenta e gradual. De acordo com a intensidade da doença, a liberação para a volta dos exercícios pode ser feita com um simples eletrocardiograma ou, nos casos moderados e graves, ecocardiograma, teste ergométrico e ressonância para detecção de possível miocardite pós-Covid (inflamação do músculo cardíaco).

Morte súbita em atletas
O falecimento súbito do atleta jovem traz à tona grande comoção e atenção da mídia mundial. Afinal, como pode uma pessoa que é um exemplo de preparo físico, alimentação balanceada, dedicação e hábitos exemplares, ser acometido por um mal súbito e morrer, geralmente no ato do exercício?
Em primeiro lugar, a definição de atleta é aquele esportista que tem o esporte como profissão. As principais causas de morte súbita em atletas podem ser divididas de acordo com a idade.De uma maneira geral, em pessoas abaixo de 35 anos prevalecem as causas congênitas ou herdadas geneticamente (cardiomiopatia hipertrófica ou anomalias coronárias), ou ainda adquiridas (como miocardites virais), como causa do óbito. Já na faixa etária acima de 35 anos, prevalece a doença coronária obstrutiva (infarto) e o uso de substâncias como cigarro, hormônios, testosterona e anfetaminas. O histórico familiar de morte súbita em parentes próximos deve ser investigado e valorizado.
Mais de 90% dos casos de morte súbita podem ser evitados através dos exames cardiológicos citados. Em muitos casos, há a contraindicação de exercícios intensos e de forma competitiva. Por outro lado, não se deve contraindicar exercícios se o risco de complicações for baixo, levando a pessoa ao sedentarismo e aí sim, aumentando seus riscos cardiovasculares.

0 Comentários

Deixe um comentário

CLIQUE ABAIXO PARA LER A EDIÇÃO

SIGA A OPINIÃO NAS REDES SOCIAIS

INSTAGRAM

APOIO